terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Agitos e Silêncios

Eu sei, eu sei, faz um mês e cinco dias desde minha última publicação aqui, que na verdade era uma republicação de um texto antigo. Não sei dizer ao certo, mas é que quando minha mente fica muito agitada, minha voz (escrita e etc) se cala. As ideias ficam pipocando em minha cabeça e tudo parece tão fantástico, dramático, feliz, nostálgico que não consigo exprimir nenhum dos assuntos que povoam meu ser. Fico, então, em silêncio. Parece que não estou interessado em nada, mas a verdade é que quase tudo me interessa. 
O problema maior é o desinteresse das pessoas a respeito de muitos assuntos. Confesso, há um total desinteresse de minha parte por futilidades, quando me refiro a futilidades falo de: BBB; bumbuns carnavalescos siliconados; o que cada um está fazendo a cada minuto no facebook, etc.  Quero conversar coisas melhores, quero trocar ideias sobre politica, cinema, passeios, cultura, sexo, religião... 
Sei, há muitas pessoas que falam sobre isso na internet e nas ruas mesmo. Melhor dizendo, "Há muitas pessoas brigando, xingando e ofendendo por isso." Sim, é extamente isso. As pessoas não sabem o que é uma boa troca de idéias. Visitei muitos sites, blogues entre outros meios de comunicação que "serviam para os diálogos filosóficos culturais" e o que vi foi uma tremenda falta de cordialidade e respeito. Nos debates não havia mediação, não havia organização e acima de tudo, não havia estudo. Tudo era movido por uma paixão doentia como aquela que move o mundo dos torcedores de clubes de futebol. Um fanatismo sem procedentes, nos videos postados (cheios de ofensas e perjúrias) e nos comentários a mesma coisa. Talvez, se se encontrassem pessoalmente sairiam na porrada. Não sei dizer se isso é trágico ou cômico, afinal, não se pode querer debater e provar a validade da sua ideias através da força, a razão se dá pela lógica e pelo bom senso da coisa. Daí que desisti de procurar alguém ou algum lugar em que eu possa raciocinar temas controversos de maneira racional e legítima, acabo ficando em silêncio.  
Este ano é ano de política, as pessoas já estão se manifestando com a truculência de sempre e a ignorância habitual, ignorância aqui no sentido de não conhecer, aliás, em nosso país, embora todos reclamem que a educação é um lixo, a grande maioria estuda de má vontade e por obrigação, os outros poucos é que sofrem por compartilharem o mesmo ambiente que os desinteressados. Estudar para quê? O lance é ir pra escola e pegar todas, o lance agora é as novinhas, o cabaret, o sexo total... Este último tem sido alvo do meu estudo e posso dizer que estamos longe, mas muito longe de vencer os tabus e os abusos relacionados a este assunto.
O restante, bem, é melhor calar que falar sozinho.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Contos que não valem um conto - O beijo

- Acho que fui prejudicado sim! Disse ele olhando-a nos olhos, falando sobre o fato de ter crescido no meio das mulheres, e ter a visão do amor que elas imprimiram nele, este amor romântico e maravilhoso, respeitoso e gentil, tornou-se galanteador e patético, não tinha o instinto caçador como diziam seus amigos.
- Não acho, – respondeu ela – você foi um privilegiado, conhece bem as mulheres, todas elas amam você, o que você precisa é aprender um pouco o jeitão dos homens também.
- Tipo o que?
- Tipo chegar junto, mais firme sabe, você é muito comportado, tem que ser um pouco descarado, mas sem ser grosseiro.
- Mas eu sou!
Afirmou ele um pouco indignado.
- É nada, se fosse tinha dado um gruda na Mônica, mas não, o senhor certinho a levou para dançar, pagou as bebidas, conversou horas com ela, a fez rir, elogiou a inteligência dela e não só o corpo e depois a deixou na porta de casa sem sequer dar um beijo nela. Você não tem malícia! Entenda uma coisa, as mulheres querem ser respeitadas, mas querem homens de atitude e é isso o que falta a você.
Era duro, mas ela tinha razão.
- Você tem razão. Não sei ser de outro jeito, o que posso fazer? Não sei se ela está ou não a fim, não consigo interpretar os sinais.
- Se ela não tiver a fim, acredite-me, ela dirá. Será um fora só isso, mas você vive com medo e adia este momento, adiando também a chance de um possível sim.
Ele nunca havia pensado assim, e uma alegria brotou no coração dele, junto com a alegria havia o medo, mas que droga, pensou consigo, como poderia ter medo se o máximo que ele poderia receber era um sim, pois o não ele já tinha. O sorriso iluminava seu rosto, ela ao ver os olhos brilhantes do rapaz sorriu também, ele tentava disfarçar a euforia, controlar a respiração, ser dono da pulsação para não recuar diante do medo.
- O que foi? Perguntou ela apreensiva.
- Nada, é que estou feliz, não sei como agradecer.
- Não foi nada, além do que é só dizer obriga...
No meio da palavra ele curvou-se sobre a mesa e a beijou rapidamente, depois, diante do espanto dela, a beijou novamente, desta vez foi correspondido... Aquilo deveria ser um sim.




PS: Nasceu meu sobrinho no dia 20. David, seja bem vindo! Agora são 04, todos perguntam quando virá o meu.Resposta: Não sei!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Contos que não valem um conto - A Ironia



Ela tentava finalmente organizar as coisas para cantar o parabéns. A senhora de setenta e sete anos sorria um sorriso bobo, olhava para as crianças e sorria, talvez porque se sentisse, sentada em sua cadeira no centro da mesa na sala de jantar, mexendo em seu chapéu preferido. 
A dona da casa colocava os doces na mesa, as velas no bolo, pegava os refrigentantes e arrumava os pratos e copos descartáveis. Seus sobrinhos corriam pela casa de um lado para o outro, sua irmã mais nova assitia televisão na sala, as outras duas conversavam sobre cabelo enquanto seus respectivos maridos fumavam e bebiam na varanda falando sobre futebol.
"A mesa está pronta gente!" as poucos iam se juntando ao redor da senhora, que ria e contava histórias antigas a respeito de suas filhas, lembrava a morte do marido ria dos netos e ao chegar em Clara perguntava a uma das outras filhas:
"E esta aí, é sua amiga Claudia?"
"Não mamãe, é sua filha Clara; respondia sem jeito a outra"
Clara não sorria, no fundo queria que todos desaparecessem, mas apenas ela é quem desaparecera da memória da mãe.
Cantaram parabéns, sorriram comedidamente, comeram como se nunca tivessem comido e se preparavam para sair quando a senhora perguntou: "Aonde vão?"
"Vamos embora mamãe."
"Mas e eu?"
Uma das irmãs comentou baixinho: "É melhor irmos antes que ela comece de novo. Se não, não saímos daqui hoje".
Pegaram as coisas, prepararam pratinhos para levar e saíram, deixando toda a bagunça para Clara, como fazem todos os anos desde que a senhora teve problemas de saúde e passou a morar com ela que era a única filha solteira e sem filhos. Lembrava-se muito bem o que o médico havia dito: "Não foi nada grave, o cérebro foi afetado de maneira que ela não reconhecerá vocês no começo, mas aos poucos irá se lembrando".
Sete anos se passaram e ela se lembrava de todos, menos dela.
Já na porta, a senhora na cadeira de rodas despediu-se, logo em seguida esqueceu-se e perguntou: "Aonde vocês vão? Mas e eu? Vocês não vão me deixar aqui com essa mulher, vão?"

Os outros entraram em seus carros e foram embora, Clara fechou a porta e iniciou o trabalho de limpar a sujeira da festa enquanto sua mãe contava estórias que lembravam a infância de suas irmãs. Lembrava de tudo, do batismo, dos casamentos, do nascimento dos netos.
"Ah, minhas filhas são meninas lindas. Você é amiga delas? Olha, voute contar uma coisa...
"

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

The Wall - O muro



Given the high wall a bitter smile.
And it seemed so loud scratching the sky.
On this side of the nostalgia, the other side of uncertainty.
Perhaps the sadness, perhaps happiness.
But nobody can tell me what is best.
I did not understand in my head
and have been so many deaths that the wall was red.
Spies, Lies, cries, lives divided in half.
The dream of freedom and reunion grew,
Finally, the wall fell oppressor.
And two Germanys became one.
This was the end of a terror.
But how many remain?
Break down the wall that exists between you and me.
Be happy!

****************

 Diante do muro alto um sorriso amargurado.
E parecia tão alto riscando o ceu.
Do lado de ca a saudade, do lado de lá a incerteza.
Talvez a tristeza, talvez felicidade.
Mas ninguém podera me dizer aquilo que é melhor.
Não entendia em minha cabeça
e foram tantas mortes que o muro ficou vermelho.
Espiões, mentiras, gritos, vidas divididas ao meio.
O sonho de liberdade e reencontro cresceu,
finalmente, o muro opressor  caiu.
E duas alemanhas se tornaram uma só.
Este foi o fim de um terror.
Mas quantos ainda permanecem?
Derrubemos o muro que há entre mim e você.
Sejamos felizes!